Fui procurar nos estudos sobre o tempo,
o motivo para te querer bem.
O mesmo para me fazer viver.
O mesmo para te satisfazer.
Criei uma razão em dó.
Não criara razão nenhuma, outrora.
Agora, te fizeste presente no inconsciente
Novamente!
Passara desabercebido por uma nota, dó.
Passado e presente
quisera um futuro em dó.
Recebera o meu intuito
num desejo em mi.
Prêmios, chateações...
Chega!
Até quando irás negar o teu desejo por mim?
Até quando irás repreender tua consciência em ré?
O nosso futuro, então, em si.
Sou humano, sou real e sou vivo. A matéria não me domina, apenas me suporta. Minha essência forma-se a todo momento, assim como um despertar confuso e inseguro. Meu inconsciente realiza-se a favor de outrem. Minha animalidade revela-se quando estou só. A solidão confidencia-me poucas mentiras. Sabes quem eu sou? "Eu sou o que sou!" (O Criador)
25 janeiro, 2009
11 janeiro, 2009
Esperando
Ao contrário da maior parte das pessoas, tenho vivido minha paixão ao lado de amigos e amigas. Também pudera: voltei-me a atenção e o que encontro? Amizades. Amizades em arco-íris, grandemente.
Anteontem, quis poupar-me de agudas esperanças: a maior, foste tua presença. Tu vieste meio a um encontro amigável. O que diriam? Tramas do acaso histórico? Certamente, não. Tiradas do destino? Indubitavelmente, não.
Acompanho as tuas ações sem mesmo desejar acompanhar. Não crias outra razão a não ser me atrapalhar a quieta vontade de ser um liberto? Liberto de teu corpo suado, cheirando acrílica. Liberto de uma mente em que enxergo estruturas arredondadas, cujo plano de fundo é uma bahia brasileira. Livre totalmente, como se possível fosse, de tua pop e aguda voz. Brasileiramente, livre de um homem que me inspiraria o último dos meus sobrenomes e a minha primeira fatia nominal, envolto, sobretudo, em um rebolado travesso.
Voltes para tua liberdade antropofágica. Voltes para o âmago da desesperança sobre o solo amargo da solidão enferrujada. Barulhenta, sim! Para uma fantasia perigosa, incerta. Para noites deslumbrantes e uma companhia infantil. Para as luzes ofuscantes que te engolirão desenfreadamente. Para a saudade do lar. Para, então, bem perto do nosso inferno.
Desistas de tudo, menos de ti. Porque aqui viverei esperando, ou, ao teu lado reconquistando.
Anteontem, quis poupar-me de agudas esperanças: a maior, foste tua presença. Tu vieste meio a um encontro amigável. O que diriam? Tramas do acaso histórico? Certamente, não. Tiradas do destino? Indubitavelmente, não.
Acompanho as tuas ações sem mesmo desejar acompanhar. Não crias outra razão a não ser me atrapalhar a quieta vontade de ser um liberto? Liberto de teu corpo suado, cheirando acrílica. Liberto de uma mente em que enxergo estruturas arredondadas, cujo plano de fundo é uma bahia brasileira. Livre totalmente, como se possível fosse, de tua pop e aguda voz. Brasileiramente, livre de um homem que me inspiraria o último dos meus sobrenomes e a minha primeira fatia nominal, envolto, sobretudo, em um rebolado travesso.
Voltes para tua liberdade antropofágica. Voltes para o âmago da desesperança sobre o solo amargo da solidão enferrujada. Barulhenta, sim! Para uma fantasia perigosa, incerta. Para noites deslumbrantes e uma companhia infantil. Para as luzes ofuscantes que te engolirão desenfreadamente. Para a saudade do lar. Para, então, bem perto do nosso inferno.
Desistas de tudo, menos de ti. Porque aqui viverei esperando, ou, ao teu lado reconquistando.
02 novembro, 2008
Aqui te espero

Parece-me que nunca vivi para mim.
Outrora, anunciei o meu fim.
Hoje, pretendo a ressurreição de minha alma.
Engano.
Uma alma fortalecida, imagino.
Fortalecida pelo luto
Uma alma que foi renovada pelas noites de pânico,
pela profundidade do vazio,
por tua ausência.
Fortes minhas artérias e veias são o bastante,
pois esnobaram a dor causada pela doação perpétua.
A eternidade terá fim, creio,
ao menos para o meu ser.
Basta de querer te encontrar nas tranquilas lembranças, em uma cena filmada no decorrer de tua exposição.
Sobre o que dizeste?
Para quem o dizeste?
Saber é doloroso,
tu não o vives, ainda.
Cava-te até mim, cava-te!
pois, no abismo, não permanecerei só.
Outrora, anunciei o meu fim.
Hoje, pretendo a ressurreição de minha alma.
Engano.
Uma alma fortalecida, imagino.
Fortalecida pelo luto
Uma alma que foi renovada pelas noites de pânico,
pela profundidade do vazio,
por tua ausência.
Fortes minhas artérias e veias são o bastante,
pois esnobaram a dor causada pela doação perpétua.
A eternidade terá fim, creio,
ao menos para o meu ser.
Basta de querer te encontrar nas tranquilas lembranças, em uma cena filmada no decorrer de tua exposição.
Sobre o que dizeste?
Para quem o dizeste?
Saber é doloroso,
tu não o vives, ainda.
Cava-te até mim, cava-te!
pois, no abismo, não permanecerei só.
(Obra de Tomie Ohtake, Sem título, 1960)
03 setembro, 2008
Escolhas

Quando disseram às lideranças antigas de que a majestade é para um único senhor, muitos esqueceram da grandeza que é a humanidade: o desejo de vivenciar os outros e se esquecer de si mesmo. Outros, cônscios de sua tarefa, seguiram as próprias crenças. Seguiram reservados.
Hoje, as lideranças não são escolhidas... talvez nunca foram... São cada vez mais exigidas, não importa como.
Saiba, temos a cada momento menos oportunidades de revelar nossas potencialidades. Em momentos singulares dirão: "É verdade, ele fez! " ou, então, "Não, não foi possível!"
Figura: Péricles.
Hoje, as lideranças não são escolhidas... talvez nunca foram... São cada vez mais exigidas, não importa como.
Figura: Péricles.
07 agosto, 2008
Não leias
Duas inspirações musicais. A arte imita a vida, mesmo?
Cara Valente
(Composição de Marcelo Camelo. Interpretação de Maria Rita)
Não, ele não vai mais dobrar
Pode até se acostumar
Ele vai viver sozinho
Desaprendeu a dividir
Foi escolher o mau-me-quer
Entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho
Ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar
Com o coração, olha lá
Ele não é feliz
Sempre diz
Que é do tipo cara valente
Mas veja só
A gente sabe
Esse humor é coisa de um rapaz
Que sem ter proteção
Foi se esconder atrás
Da cara de vilão
Então, não faz assim rapaz
Não bota esse cartaz
Que a gente não cai, não
Ê! Ê!
Ele não é de nada,
Oiá!!!
Essa cara amarrada
É só
Um jeito de viver na pior
Ê! Ê!
Ele não é de nada,
Oiá!!!
Essa cara amarrada
É só
Um jeito de viver nesse mundo de mágoas.
Cara Valente
(Composição de Marcelo Camelo. Interpretação de Maria Rita)
Não, ele não vai mais dobrar
Pode até se acostumar
Ele vai viver sozinho
Desaprendeu a dividir
Foi escolher o mau-me-quer
Entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho
Ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar
Com o coração, olha lá
Ele não é feliz
Sempre diz
Que é do tipo cara valente
Mas veja só
A gente sabe
Esse humor é coisa de um rapaz
Que sem ter proteção
Foi se esconder atrás
Da cara de vilão
Então, não faz assim rapaz
Não bota esse cartaz
Que a gente não cai, não
Ê! Ê!
Ele não é de nada,
Oiá!!!
Essa cara amarrada
É só
Um jeito de viver na pior
Ê! Ê!
Ele não é de nada,
Oiá!!!
Essa cara amarrada
É só
Um jeito de viver nesse mundo de mágoas.
O Mundo é um Moinho
(Composição de Cartola)
Ainda é cedo amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés
27 julho, 2008
Descoberta primeira
Envio
Já não se sabe o momento exato de partir e não quero me entregar tão cedo.
Aquela paixão que eu senti quando te conheci, não está rolando mais faz tempo.
Já não vejo mais o brilho dos teus olhos para mim.
Nem sei se ainda posso mesmo te fazer sorrir. Creio, porém, que sim.
Cada momento que passamos juntos foi aprendizado, apenas para mim, aparentemente.
Mas tudo o que foi bom se acabou. O pior, permanece, enfim.
E quando penso em ir embora, tu não queres dar motivos. Amedronta-se!
Disse que estou perdendo a paixão que tenho no coração. Se ainda há coração, devo ter perdido.
Eu fico disfarçando, finjo que não entendo e em pouco tempo relembro tudo outra vez.
Resposta
Tuas palavras não me prenderam momentaneamente.
Enxergo, claramente, teus desejos.
Fontes. Inspirações. Desejos egoístas.
Fogo como provocação. Súbita vontade de me ter, mesmo arredio. Inconfesso.
Se meu foco... Se foste tu... Seria e não é...
Teríamos juntos o outono mais sombrio. Faltas e acomodações.
Requeres momentos. Dúvidas vis. Inseguro de mim e de nós.
Olhares esparsos nos cercariam.
Pois bem, foi!
Hodierno, vivifico o perpétuo.
Jamais o momento.
Já não se sabe o momento exato de partir e não quero me entregar tão cedo.
Aquela paixão que eu senti quando te conheci, não está rolando mais faz tempo.
Já não vejo mais o brilho dos teus olhos para mim.
Nem sei se ainda posso mesmo te fazer sorrir. Creio, porém, que sim.
Cada momento que passamos juntos foi aprendizado, apenas para mim, aparentemente.
Mas tudo o que foi bom se acabou. O pior, permanece, enfim.
E quando penso em ir embora, tu não queres dar motivos. Amedronta-se!
Disse que estou perdendo a paixão que tenho no coração. Se ainda há coração, devo ter perdido.
Eu fico disfarçando, finjo que não entendo e em pouco tempo relembro tudo outra vez.
Resposta
Tuas palavras não me prenderam momentaneamente.
Enxergo, claramente, teus desejos.
Fontes. Inspirações. Desejos egoístas.
Fogo como provocação. Súbita vontade de me ter, mesmo arredio. Inconfesso.
Se meu foco... Se foste tu... Seria e não é...
Teríamos juntos o outono mais sombrio. Faltas e acomodações.
Requeres momentos. Dúvidas vis. Inseguro de mim e de nós.
Olhares esparsos nos cercariam.
Pois bem, foi!
Hodierno, vivifico o perpétuo.
Jamais o momento.
21 julho, 2008
Várias Noites
Esses bichos são a extensão da miséria.
Voam como se fossem os donos do ar.
Ar que se eu respirasse profundamente
Perderia-o.
Destrói-se, hoje, quase tudo.
Inclusive a esperança do ser.
Ser ambiente, ser vivo e ser gente.
Pior seria se não pudéssemos nem viver.
Gente, eu vivo em um ar
Ares e males
Vivo, porém.
Vieram e me contaram
Contaram que o ar virou morada de bicho
Um tormento gratuito
Atraso de sono
Coceiras
E eu vivi.
Cama, colcha
Se nos faltam os retalhos
preferiríamos a palha.
Ai sim! Feito, pois.
O barbeiro majestade.
O grilo minha depressão.
O pernilongo minha insônia.
Ouvi tanto bicho ao me deitar
Que se eu sonhasse... com a mata
Estaria cravado.
Pensei, contudo:
- Aqui jaz um defunto!
Jaz, aqui, um bicho.
Voam como se fossem os donos do ar.
Ar que se eu respirasse profundamente
Perderia-o.
Destrói-se, hoje, quase tudo.
Inclusive a esperança do ser.
Ser ambiente, ser vivo e ser gente.
Pior seria se não pudéssemos nem viver.
Gente, eu vivo em um ar
Ares e males
Vivo, porém.
Vieram e me contaram
Contaram que o ar virou morada de bicho
Um tormento gratuito
Atraso de sono
Coceiras
E eu vivi.
Cama, colcha
Se nos faltam os retalhos
preferiríamos a palha.
Ai sim! Feito, pois.
O barbeiro majestade.
O grilo minha depressão.
O pernilongo minha insônia.
Ouvi tanto bicho ao me deitar
Que se eu sonhasse... com a mata
Estaria cravado.
Pensei, contudo:
- Aqui jaz um defunto!
Jaz, aqui, um bicho.
27 junho, 2008
"No Paraíso da Ilusão"
Após uma década, ainda consigo, graças a uma memória vigorante, recordar-me dos sorrisos desta autora. Ao lado do barulho, da rotina embaçada, dos vultos humanos e do desentendimento vil relembro-me do encanto que é receber um sorriso ao invés de uma indiferença. O credo no humano não me permitirá, mesmo que doa, arrastar-me para longe de ti.
Graças ao sorriso dela, também, posso reafirmar meu desejo em viver. O seu exemplo é maior!
Transcrevo um breve poema, que expõe uma ferida ainda aberta. Minha alma sempre o possuiu, contudo.
Gostaria
Gostaria de não gostar de ti
então saberia como é viver em paz
Queria ser capaz
de te esquecer
Por que tua imagem não sai da minha mente
e pára de me perturbar?
Gostaria de um dia acordar
e em ti não mais pensar
Quero ser quem eu não sou
viver o que não vivo
e sentir o que não sinto
Ou ao menos saber o que não sei
não pensar em quem penso
e não amar a quem eu amo
Não gostaria de ser normal
se o normal das pessoas for amar e sofrer
E tão-somente correr para bem longe
e deixar de te pertencer.
Paula Bueno
(Janeiro, 1998)
Gostaria de não gostar de ti
então saberia como é viver em paz
Queria ser capaz
de te esquecer
Por que tua imagem não sai da minha mente
e pára de me perturbar?
Gostaria de um dia acordar
e em ti não mais pensar
Quero ser quem eu não sou
viver o que não vivo
e sentir o que não sinto
Ou ao menos saber o que não sei
não pensar em quem penso
e não amar a quem eu amo
Não gostaria de ser normal
se o normal das pessoas for amar e sofrer
E tão-somente correr para bem longe
e deixar de te pertencer.
Paula Bueno
(Janeiro, 1998)
09 junho, 2008
Resistirei
Par
Hoje acredito em nós,
não juntos, menos separados,
mas distantes. Longe, porém.
Humanos
Perdemos, vivemos
Voltamos e circulamos como o vento bravio
outrora manso, sorrateiro.
Perdi, perdi forças
Perdi
em batalha, mãos alheias feriram.
Incentivadas pelo demasiadamente humano.
A Fidelidade se perdeu
E tentou me levar com ela.
Perdemo-nos em um círculo de dizeres ignorantes.
Perdemo-nos no início da relação amigo-amorosa.
A Fidelidade cobrou-me ciúme.
Desejei perdê-la, então.
Perdi a Fidelidade para o ciúme,
algo dado, repassado, ignorante, vil.
Infortúnio de crença!
Transeuntes desamparados
por algo perpetuamente herdado.
Viram-nos amantes-amigos
Reviraram-nos pelos lados menos conscientes.
Julgaram os lados internos.
Não perdi somente a Fidelidade.
Perdi minha oração para o humano,
abaixo de um Céu empobrecido pela tormenta das mudanças atuais.
Sem questões, apenas afirmações claras.
Cônscias, resistentes.
Inemocionais.
Solitárias.
Jamais nos perderei.
Cativo-te, cativo-lhos.
Eterno responsável.
Entretanto,
perdi a Fidelidade para o ciúme.
Hoje acredito em nós,
não juntos, menos separados,
mas distantes. Longe, porém.
Humanos
Perdemos, vivemos
Voltamos e circulamos como o vento bravio
outrora manso, sorrateiro.
Perdi, perdi forças
Perdi
em batalha, mãos alheias feriram.
Incentivadas pelo demasiadamente humano.
A Fidelidade se perdeu
E tentou me levar com ela.
Perdemo-nos em um círculo de dizeres ignorantes.
Perdemo-nos no início da relação amigo-amorosa.
A Fidelidade cobrou-me ciúme.
Desejei perdê-la, então.
Perdi a Fidelidade para o ciúme,
algo dado, repassado, ignorante, vil.
Infortúnio de crença!
Transeuntes desamparados
por algo perpetuamente herdado.
Viram-nos amantes-amigos
Reviraram-nos pelos lados menos conscientes.
Julgaram os lados internos.
Não perdi somente a Fidelidade.
Perdi minha oração para o humano,
abaixo de um Céu empobrecido pela tormenta das mudanças atuais.
Sem questões, apenas afirmações claras.
Cônscias, resistentes.
Inemocionais.
Solitárias.
Jamais nos perderei.
Cativo-te, cativo-lhos.
Eterno responsável.
Entretanto,
perdi a Fidelidade para o ciúme.
02 junho, 2008
Amor-amizade
"O amor em forma de amizade deveria impregnar todas as relações e estender-se a toda a humanidade, porque @s amig@s se aceitam em suas limitações. [...]
É próprio desse amor não haver dominador(ra) nem dominado(a). [...]
É movida pelo desejo de justiça, igualdade de oportunidades e efetivação da dignidade humana: ama-se a tod@s sem exclusividade."
(Texto de Neusa Vendramin Volpe e Ana Maria Laporte. Adaptação de André Luiz Martins)
É próprio desse amor não haver dominador(ra) nem dominado(a). [...]
É movida pelo desejo de justiça, igualdade de oportunidades e efetivação da dignidade humana: ama-se a tod@s sem exclusividade."
(Texto de Neusa Vendramin Volpe e Ana Maria Laporte. Adaptação de André Luiz Martins)
21 maio, 2008
Lição de casa
1. A respeito do Congresso Nacional, qual é a relação entre a produção legislativa em larga escala e a eficácia das leis no que diz respeito a implantação e respeito. A grande quantidade de projetos apresentados anualmente pelos parlamentares, tanto do Senado como da Câmara dos Deputados é realmente necessária e útil? Qual o efeito real desta grande quantidade de leis na sociedade? Esta é beneficiada em suas necessidades mais urgentes?
Nicolle, precisamos compreender a democracia representativa como a ação política mais exercida ultimamente. Ela é o suporte desta organização política. A representatividade está custosa para nós. Está deturpada, sem motivos claros e pouca expressividade coletiva. O coletivo é o principal, mas está escondido. Nossa Constituição é impressionante, mas não é respeitada integralmente quando devemos implementá-la, por exemplo. A implementação passa por critérios que a população não entende muito bem. Talvez nem mesmo o jurista... fruto dessa mesma população... As políticas públicas são determinadas ainda pelo amargo sabor do populismo... Então, o beneficiamento delas também está comprometido. A quantidade de projetos de leis demonstra confusão e não clareza sobre a realidade social daqueles (as) que pretensiosamente usam um tal título de experiência: “vida pública”. Título para mim inexistente. Não é mais aceitável a representação caduca. Rotação das lideranças já! É preciso repensar a democracia representativa, reorganizá-la, por fim, coletivizá-la. Um dos maiores problemas não está nos projetos de lei, mas naqueles (as) que os pensam.
2. Comente a oposição quantidade x qualidade dos processos legislativos.
Quais critérios precisaríamos aplicar? Perceba que utilizo “precisaríamos” porque é fundamental que a população recrie um sentido político para a representatividade. Mas esta mesma população está apática. Não (re) conhece nem mesmo as necessidades sociais.
A quantidade dos projetos de lei, como afirmei anteriormente, é a demonstração clara de confusão. Disputas e conchavos são comuns! Seriam aonde a coletividade fosse privilegiada? Negociações existem, também, e não é de todo uma característica desaprovada.
A qualidade dos projetos de lei, contudo, nós percebemos diariamente. Os projetos de lei atendem satisfatoriamente às necessidades sociais, como segurança, habitação e alimentação, por exemplo? Enumero estas por acreditar que sejam mais urgentes de projetos de lei eficazes. Não precisamos rediscutir a resposta, nós sabemos a resposta... É imperativo dialogar (para não reproduzir mais violência) sobre a representatividade e a eficiência dos projetos.
3. Há em nosso país, um predomínio do Executivo sobre o Congresso Nacional no que diz respeito a apresentação e aprovação de projetos e fiscalização?
A sugestão dos representantes políticos era fazer com que a população acreditasse em uma “harmonia” entre os Poderes. É fácil encontrar esta palavra norteando a relação entre o Executivo e o Legislativo, nas Leis Orgânicas (diretrizes municipais). Penso que no Congresso Nacional isso não seria diferente, afinal é ele que propõe as diretrizes para os Estados e Municípios. O impressionante é reconhecer que “a moda” não pegou.
O cenário é semelhante a esse: a população apática reclama, o Executivo procura atender, pressiona e gasta muito dinheiro no Congresso Nacional tentando resolver os assuntos que a opinião pública adota e adora criticar (e só), gasta na implementação dos projetos, gasta na fiscalização das políticas públicas... Agora podemos perceber por que é tão alta a taxa de juros?
A população ainda tem auxílios esclarecidos e importantes. Sinalizo apenas dois de muitos outros: os Movimentos Feministas e de Mulheres e os Movimentos GLBTT.
4. Existe, em nosso país um certo desconhecimento, descaso e falta de peso nas leis aprovadas votadas no Congresso Nacional? Este fenômeno, acontece em decorrência da alta produtividade legislativa?
Possivelmente. O mecanismo está falho. Não posso acreditar que os projetos venham para tranqüilizar a população, e sim para resolver as necessidades sociais por uma duração temporal respeitável. É custoso este mecanismo.
5. Sobre a questão da linha de sucessão presidencial, qual é o motivo para que o presidente do Senado seja o terceiro e o presidente da Câmara dos Deputados o segundo?
6. Apesar de pertencerem a um mesmo poder – Legislativo – é possível dizer que o Senado e a Câmara dos Deputados apresentam competências distintas. Em sua opinião, qual é a principal diferença entre as duas casas que as relacione diretamente com os seus representados: os Estados membro, no caso do Senado e o povo no caso da Câmara dos Deputados.
7. Como a questão das imunidades material, formal e foro privilegiado expressam a garantia de uma independência do Poder Legislativo?
8. Ainda sobre as prerrogativas, porque um parlamentar que cometeu crime envolvendo dinheiro público em exercício do mandato, por exemplo, pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal? Quais as implicações desta medida? A impressão é que o parlamentar se beneficia deste privilégio. Isto é verdade?
9. Existe, no Brasil em seu sistema bicameral, alguma supremacia de uma casa em relação a outra?
Acredito ser inaceitável a supremacia. Acontecem sim conflitos discursivos e opiniões contraditórias. Esforços emaranhados e dúbios. Uma imensa confusão de responsabilidades. Atrapalha, certamente, os espectadores (nós). Enfim, tudo está muito próximo lá dentro e o que diferencia mesmo é a burocracia empregada. Ela precisa ser diferente ou aparentemente diferente. Acredito como validade de poderes, apenas.
11. Existe hoje, na população brasileira, uma impressão de que o parlamento é nulo dentro do poder político. Porque isso ocorre? Este fato tem relação com a questão governabilidade x representatividade, onde um político, durante a eleição se coloca como pai e representante de um determinado grupo e, terminado o período eleitoral, passa a não governar para o mesmo?
Resultado: apatia política da maior parte da população brasileira. Uma sugestão? Socialização do conhecimento, ou seja, privilegiá-lo.
Obrigado.
Entrevista a Nicolle Lemos, acadêmica de Jornalismo da Universidade Mackenzie, em 20 de novembro de 2007.
23 abril, 2008
10 abril, 2008
Liberdade
"A angústia é a possibilidade da liberdade, só essa angústia é, pela fé, absolutamente formadora, na medida em que consome todas as coisas finitas, descobre todas as ilusões. Aquele que é formado pela angústia é formado pela possibilidade e só quem for formado pela possibilidade estará formado de acordo com a sua infinitude. A possibilidade é, por conseguinte, a mais pesada de todas as categorias."
Soren Kierkegaard (1813-1855)
02 abril, 2008
É isto um homem?
Vocês que vivem seguros
em suas cálidas casas,
vocês que, voltando à noite,
encontram comida quente e rostos amigos,
pensem bem se isto é um homem
que trabalha no meio do barro,
que não conhece a paz,
que luta por um pedaço de pão,
que morre por um sim por um não.
Pensem bem se isto é uma mulher,
sem cabelos e sem nome,
sem mais força para lembrar,
vazios os olhos, frio o ventre,
como um sapo no inverno.
Pensem que isto aconteceu:
eu lhes mando estas palavras.
Gravem-nas em seus corações,
Estando em casa, andando na rua,
ao deitar, ao levantar;
repitam-nas a seus filhos.
Ou, senão, desmorone-se a sua casa,
a doença os torne inválidos,
os seus filhos virem o rosto para não vê-los.
em suas cálidas casas,
vocês que, voltando à noite,
encontram comida quente e rostos amigos,
pensem bem se isto é um homem
que trabalha no meio do barro,
que não conhece a paz,
que luta por um pedaço de pão,
que morre por um sim por um não.
Pensem bem se isto é uma mulher,
sem cabelos e sem nome,
sem mais força para lembrar,
vazios os olhos, frio o ventre,
como um sapo no inverno.
Pensem que isto aconteceu:
eu lhes mando estas palavras.
Gravem-nas em seus corações,
Estando em casa, andando na rua,
ao deitar, ao levantar;
repitam-nas a seus filhos.
Ou, senão, desmorone-se a sua casa,
a doença os torne inválidos,
os seus filhos virem o rosto para não vê-los.
LEVI, Primo*. É isto um homem? Tradução de Luigi Del Re. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2000. p.9.
* Primo Levi (1919-1987), escritor e químico italiano, sobrevivente de Auschwitz.
31 março, 2008
Diário e girassóis azuis
Hoje recebi a visita do Dr. Compixote, da Universidade Universal das Esferas Maiores, do Curso de Ciências Progressivas e Cósmicas, do Departamento do Movimento Dialético e Raciocínio Lógico. Publicou recentemente uma obra em que trata sobre algo... Intitulou-o Estudo Avançado para uma Epistemologia em um Futuro Saudável. Conceituou rede teífica, uma caricatura do exercício da aranha, de Karl Marx, no texto Jornada de Trabalho, em O Capital.
21 março, 2008
Linguagens
"Você roubou meu sossego.
Você roubou minha paz.
Sem você, eu sofro.
Com você, eu sofro mais."
(Uma brincadeirinha do Zé Celso)
Você roubou minha paz.
Sem você, eu sofro.
Com você, eu sofro mais."
(Uma brincadeirinha do Zé Celso)
"You stole my tranquility.
You stole my peace.
Without you, I suffer.
With you, I agonize."
(Tradução para o inglês de Thiago Nascimento)
You stole my peace.
Without you, I suffer.
With you, I agonize."
(Tradução para o inglês de Thiago Nascimento)
13 março, 2008
Nosso jeito
Eu pensei em ligar para ti,
não pude
estava em São Paulo
Se não fosse a saudade
A saudade de encostar minha testa na tua
Eu estaria livre de ti.
Eu pensei em ligar para ti,
não pude
esperava mais uma vez
a confirmação do meu sucesso
longe,
bem longe de ti.
Eu pensei em ligar para ti,
onde a modernização
permitiu encolher escolhas.
Se não fosse a saudade
Aquela mesma da testa e do "pânico".
Aquela mesma que no verão me fez retornar para teus braços,
teus beijos e carícias ingênuas.
Eu estaria fortemente
apaixonado por mim,
Sem outrem, ninguém.
Sem ti.
Eu pensei em ligar para ti,
não para ouvir-te
mas, sentenciar-te.
Pois o bem lançado
a mim é,
sejas tudo, sejas quem tu és.
A saudade... do início...
Ah, a saudade!
Deixei-a em São Paulo.
não pude
estava em São Paulo
Se não fosse a saudade
A saudade de encostar minha testa na tua
Eu estaria livre de ti.
Eu pensei em ligar para ti,
não pude
esperava mais uma vez
a confirmação do meu sucesso
longe,
bem longe de ti.
Eu pensei em ligar para ti,
onde a modernização
permitiu encolher escolhas.
Se não fosse a saudade
Aquela mesma da testa e do "pânico".
Aquela mesma que no verão me fez retornar para teus braços,
teus beijos e carícias ingênuas.
Eu estaria fortemente
apaixonado por mim,
Sem outrem, ninguém.
Sem ti.
Eu pensei em ligar para ti,
não para ouvir-te
mas, sentenciar-te.
Pois o bem lançado
a mim é,
sejas tudo, sejas quem tu és.
A saudade... do início...
Ah, a saudade!
Deixei-a em São Paulo.
16 fevereiro, 2008
Lispectoriando
Toda vez que fumo, lembro-me de Lispector
Não de suas causas vividas, pouco de seus amores
Toda vez que fumo, lembro-me de Lispector
Pelos momentos que passou solitária, ausente
Rica, enluarada em várias regiões do mundo
Pobre, desgastada por enxergar paredes, salas e prédios
Maravilhosa, sob a companhia dos livros.
Toda vez que fumo, lembro-me de Lispector
Não de seus amores, talvez um
somente ela
Só e a sós
Toda vez que me encontro, lembro-me de Lispector
Pela semelhança de ser
Não do estado,
Não da criação
Sim da ausência.
Não de suas causas vividas, pouco de seus amores
Toda vez que fumo, lembro-me de Lispector
Pelos momentos que passou solitária, ausente
Rica, enluarada em várias regiões do mundo
Pobre, desgastada por enxergar paredes, salas e prédios
Maravilhosa, sob a companhia dos livros.
Toda vez que fumo, lembro-me de Lispector
Não de seus amores, talvez um
somente ela
Só e a sós
Toda vez que me encontro, lembro-me de Lispector
Pela semelhança de ser
Não do estado,
Não da criação
Sim da ausência.
13 janeiro, 2008
A violência contra os humanos
Eventos cotidianos acontecem sem a vigília do Estado. Os centros urbanos incharam e as políticas de habitação e transporte não suportam devidamente as necessidades sociais, entendidas como necessidades de mercado para muitos analistas. Outras formas, como os resultados do não reconhecimento cívico, pelo Poder Público, exibe uma democracia frágil, uma economia de mercado e de capital atrasada e uma política representativa desgastada pelos ofícios oligárquicos.
Antes pensado como território de exploração, hoje o Brasil ainda preserva a "herança rural" apresentada à história política por Sérgio Buarque de Holanda e "economia atrasada" por Caio Prado Junior.
A distância de renda entre as populações ricas, médias e pobres oferecem um campo farto de ações violentas e desumanas (atrasos de benefícios, suspensão de direitos e garantias trabalhistas, filas, conflito armado no interior do país sem o acompanhamento do Poder Judiciário, assaltos a instituições de crédito popular - mercearias, bares e lanchonetes - morosidade burocrática etc).
Hoje, nem os super-heróis poderão civilizar o país, justamente porque esta idéia não se fortaleceu além do Atlântico Norte.
Antes pensado como território de exploração, hoje o Brasil ainda preserva a "herança rural" apresentada à história política por Sérgio Buarque de Holanda e "economia atrasada" por Caio Prado Junior.
A distância de renda entre as populações ricas, médias e pobres oferecem um campo farto de ações violentas e desumanas (atrasos de benefícios, suspensão de direitos e garantias trabalhistas, filas, conflito armado no interior do país sem o acompanhamento do Poder Judiciário, assaltos a instituições de crédito popular - mercearias, bares e lanchonetes - morosidade burocrática etc).
Hoje, nem os super-heróis poderão civilizar o país, justamente porque esta idéia não se fortaleceu além do Atlântico Norte.
09 janeiro, 2008
Pares e par: a reconstrução do amor romântico
Para o humano que seja vivo como o Verde-Vida.
Que me ame como ama a "curva livre e sensual" das formas e o estético aplicado à vida e a mim. Não desejo que me ame pelo que fui e poderei ser, mas pelo que tento ser a cada momento. Par, casal, namoro... tanto faz... prefiro o pronome nós.
Talvez o par, o casal, o namoro perfeito não exista concretamente, mas é válido, perpetuamente, a reconstrução das possibilidades e das verdades vividas.
Que me ame como ama a "curva livre e sensual" das formas e o estético aplicado à vida e a mim. Não desejo que me ame pelo que fui e poderei ser, mas pelo que tento ser a cada momento. Par, casal, namoro... tanto faz... prefiro o pronome nós.
Talvez o par, o casal, o namoro perfeito não exista concretamente, mas é válido, perpetuamente, a reconstrução das possibilidades e das verdades vividas.
21 dezembro, 2007
Não Vale a Pena
Autores:Jean Garfunkel e Paulo Garfunkel
Intérprete: Maria Rita
Intérprete: Maria Rita
Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena...
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena...
29 novembro, 2007
Entoar
O respeito às pessoas mais experientes demonstra o quanto a sociedade compreende sobre sua história.
O dizer "viver é melhor que sonhar", interpretado por Elis Regina, com a música "Como Nossos Pais", revela o desejo humano pela manifestação de sua natureza política: nós humanos precisamos viver, e mais, viver por um longo período.
Valerá questionar: por que a experiência de vida dos/as idosos/as não é facilmente impressa, escrita, e falada? Por que, em sua maioria, encontramos mais jovens no mass media e poucas experiências amadurecidas?
Repensar o passado, ou apenas notá-lo, não é um exercício apenas daqueles/as que se debruçaram a vencer o terror (ainda para os jovens) da finitude vital, mas daquele/a que vive coletivamente e não apenas sonha.
Se o/a jovem perceber que poderá não alcançar a terceira idade, será possível reconciliar o diálogo com as diversas experiências, o bem-estar com a saúde e o viver com o sonhar.
20 setembro, 2007
Abrigo
Talvez eu pudesse respirar profundamente o ar fresco de uma manhã manhosa pelo sol. Prometer carícias às crianças desamparadas. Reanimá-las com um mínimo afeto.
Sobreviver à ligeireza de uma atividade habitual. Romper o ignorar verdades. Suplantar os pré-conceitos. Reanimar a ternura. Permitir o entendimento. Promover um diálogo harmonioso. Responder ao exercício da responsabilidade e da clareza. Verificar a humanidade. Planejar o verbo... E por que esquecer de relembrar as felicidades?
Contar momentos para as crianças que só vivem o fantástico quando estão dormindo... Desse modo, elas passariam a respeitar a humanidade. Verdade ou mentira. Amor ou ódio. Tanto faz! Depois do meio-dia todo ar é quente em meu abrigo.
17 agosto, 2007
Feminino

Não pude esperar, e logo que acordei, sentei-me rente a cama macia... Esqueci de agradecer-te.
Eles querem, ainda, corrompê-la. Novamente...
O que seria da saúde que me comporta sem tua força viril?
Como sustento pensamentos lúcidos, lembrando-me justamente de teu afeto feminino?
Ouço constantemente os queixumes das crianças. Desorientadas e famintas...
Sem tua essência não seriam porções humanas, mas corpos tomados por apoucada humanidade.
Ausente o afeto viril feminino que sai de teu toque elas morreriam... não o corpo, mas o espírito.
Nem mesmo o mais desonesto homem seria capaz de suportar por séculos a mentira de que a ti foi dita: de que foste a parte que nos trouxe os males.
Pandora, de Odilon Redon. 1915.
25 julho, 2007
Adeus à coletividade
André Luiz Martins Pereira
Percebo que não nasci para esta época. Não quer dizer que mereceria uma futura ou passada. Apenas não mereço esta.
Ocorre que a chamada para a vida coletiva não me satisfaz. Sinto, verdadeiramente, um fluxo vital se despender por rumos egoísticos. Talvez maléficos. Certo estou de que não são benéficos. Há tempos acreditava no maniqueísmo. Hoje apenas nas interfaces. Também pouco importa a verdade presente neste universo humano. Acreditava bastante na potencialidade do caráter humano: criações e pensamento. Esclarecido, pude recorrer a este sem muitas dificuldades cognitivas. Algumas sentenças, às vezes, mostravam-se embasadas, sobretudo.
Estou vivendo em estado de impropriedade. Os pensamentos estão se deslocando para aspectos do cotidiano rapidamente, sobrecarregando-o. Incorre uma fundamental dificuldade: não sei lidar com a finitude. E quem sabe? Com o que compreende o fim de uma forma fortemente incompleta, afinal não possuo trabalho. Ocioso, respiro com dificuldade, como sem perceber ao degustar o alimento o gosto, ver a realidade semelhante a flashes e cenas embaraçadas, e por fim, emocionar-me raramente, de maneira que o sentimento é tão desenxabido e seu reflexo em meu íntimo é também espaçosamente ínfimo.
Os dois pensamentos a que me refiro são o de estar doente e de estar impossibilitado de poder seguir interesse profissional. O primeiro está diretamente ligado ao tratamento que destino à finitude. Já o outro, percebo sem muitos detalhes, está na faculdade de aplicar a inteligência e o raciocínio relacional na burocracia.
Faço pouco menos do que deveria por mim, confesso. Até este instante destinei muito tempo de mim para a coletividade. Meu prazer, meus sonhos, meus anseios e pretensões estavam originariamente a propósito de outrem. As angústias, fraquezas, necessidades básicas e específicas, gostos exóticos, ofensas, incompreensões etc. Entretanto, neste instante cônscio, não sei se poderei reverter este esforço uma vez dado de pouca fortaleza e propriedades físicas limitadoras.
Compreendo profundamente os erros como se não quisesse vestir conforto no decurso do inverno gélido.
Falta preencher esta imensa lacuna, ou talvez várias pequenas lacunas aglutinadas. Se confirmar o que me aprisiona em pensamentos delirantes obterei duas sentenças: assumi uma compreensão (esclarecimento) sobre o devir claramente insuportável e não pertencer mais a esta época. Não desejo viver mais nu, além de estar, agora, sujo. Como poderei ser enxergado pela coletividade, a que sempre me preocupei, desse modo? Mesmo despedindo ainda me preocupo com ela. Este país não me merece ou nunca me mereceu porque eu não me respeitei o bastante para usá-lo. Quero dizer adeus à coletividade por desistir.
Percebo que não nasci para esta época. Não quer dizer que mereceria uma futura ou passada. Apenas não mereço esta.
Ocorre que a chamada para a vida coletiva não me satisfaz. Sinto, verdadeiramente, um fluxo vital se despender por rumos egoísticos. Talvez maléficos. Certo estou de que não são benéficos. Há tempos acreditava no maniqueísmo. Hoje apenas nas interfaces. Também pouco importa a verdade presente neste universo humano. Acreditava bastante na potencialidade do caráter humano: criações e pensamento. Esclarecido, pude recorrer a este sem muitas dificuldades cognitivas. Algumas sentenças, às vezes, mostravam-se embasadas, sobretudo.
Estou vivendo em estado de impropriedade. Os pensamentos estão se deslocando para aspectos do cotidiano rapidamente, sobrecarregando-o. Incorre uma fundamental dificuldade: não sei lidar com a finitude. E quem sabe? Com o que compreende o fim de uma forma fortemente incompleta, afinal não possuo trabalho. Ocioso, respiro com dificuldade, como sem perceber ao degustar o alimento o gosto, ver a realidade semelhante a flashes e cenas embaraçadas, e por fim, emocionar-me raramente, de maneira que o sentimento é tão desenxabido e seu reflexo em meu íntimo é também espaçosamente ínfimo.
Os dois pensamentos a que me refiro são o de estar doente e de estar impossibilitado de poder seguir interesse profissional. O primeiro está diretamente ligado ao tratamento que destino à finitude. Já o outro, percebo sem muitos detalhes, está na faculdade de aplicar a inteligência e o raciocínio relacional na burocracia.
Faço pouco menos do que deveria por mim, confesso. Até este instante destinei muito tempo de mim para a coletividade. Meu prazer, meus sonhos, meus anseios e pretensões estavam originariamente a propósito de outrem. As angústias, fraquezas, necessidades básicas e específicas, gostos exóticos, ofensas, incompreensões etc. Entretanto, neste instante cônscio, não sei se poderei reverter este esforço uma vez dado de pouca fortaleza e propriedades físicas limitadoras.
Compreendo profundamente os erros como se não quisesse vestir conforto no decurso do inverno gélido.
Falta preencher esta imensa lacuna, ou talvez várias pequenas lacunas aglutinadas. Se confirmar o que me aprisiona em pensamentos delirantes obterei duas sentenças: assumi uma compreensão (esclarecimento) sobre o devir claramente insuportável e não pertencer mais a esta época. Não desejo viver mais nu, além de estar, agora, sujo. Como poderei ser enxergado pela coletividade, a que sempre me preocupei, desse modo? Mesmo despedindo ainda me preocupo com ela. Este país não me merece ou nunca me mereceu porque eu não me respeitei o bastante para usá-lo. Quero dizer adeus à coletividade por desistir.
08 dezembro, 2006
Vinda
Sabes daquele teu coração espinhado?
Sabes, não? Pois é meu também.
Hoje vejo menos claramente. E o melhor é o quanto as nuvens fazem sumir a minha dor, só pela manhã.
Por enquanto, nutro um enfraquecido desejo de sobrevivência.
Tu me faltas...
Tu me amas...
Tu me desejas...
Como posso ser tão egoísta e pensar somente em mim, aqui sozinho, se tu existes a distância?
Sabes, não? Pois é meu também.
Hoje vejo menos claramente. E o melhor é o quanto as nuvens fazem sumir a minha dor, só pela manhã.
Por enquanto, nutro um enfraquecido desejo de sobrevivência.
Tu me faltas...
Tu me amas...
Tu me desejas...
Como posso ser tão egoísta e pensar somente em mim, aqui sozinho, se tu existes a distância?
14 novembro, 2006
Cotidiano
Segunda-feira (ensolarada)
- Dar-te-ei esculachos, menino vadio!
- Dê-me o que quiseres, mas saiba... contarei tudo a mamãe!
- Vô virá a mão na tua cara, vadia!
- Bate que eu quero vê, bate seu puto de merda!
Terça-feira (parcialmente nublada)- Sabes dos teus estudos, menino?
- Sei sim, certamente os farei.
- Vá estudá desocupado!
- Apá merda.
Quarta-feira (ensolarada)
- Cuidas da vida de tua mãe e verás o que ela fará quando descobrir.
- Minha preocupação é acerca de minha vida... somente.
- Fica mexendo nas coisas da mãe, fica...
- Não enche o saco, merda!
Quinta-feira (nublada e ventando)- Cuide de te cobrir com o manto quando a brisa condensar.
- Assim o farei. Ah! Diga onde estão os meus sapatos...
- Leva o casaco guri!
- Valeu!
Sexta-feira (garoando)
- Cuidado com o chocheiro do Lord. Ele é arredio como o eqüino.
- Sei diferenciar a insensatez da força bruta.
- Ó o carro guri estúpido!
- Tô vendo ô!
Sábado (chovendo e ventando fraco)- Viste os anúncios sobre a guerra? Viste? Responde logo menino, por favor!
- Absolutamente, estão em cima da escrivaninha. Conto depois.
- Cadê o jornal? Eu deixei aqui!
- Levei lá pra sala. Vê lá!
Domingo (chovendo ininterruptamente)- Sirva o menino criada. O peixe.
- Sim senhora.
- Estou grato.
- Dá ai o frango...
- Ó mãe! Ele pegou tudo!
- Peguei mesmo, tô com mais fome que você.
- Dar-te-ei esculachos, menino vadio!
- Dê-me o que quiseres, mas saiba... contarei tudo a mamãe!
- Vô virá a mão na tua cara, vadia!
- Bate que eu quero vê, bate seu puto de merda!
Terça-feira (parcialmente nublada)- Sabes dos teus estudos, menino?
- Sei sim, certamente os farei.
- Vá estudá desocupado!
- Apá merda.
Quarta-feira (ensolarada)
- Cuidas da vida de tua mãe e verás o que ela fará quando descobrir.
- Minha preocupação é acerca de minha vida... somente.
- Fica mexendo nas coisas da mãe, fica...
- Não enche o saco, merda!
Quinta-feira (nublada e ventando)- Cuide de te cobrir com o manto quando a brisa condensar.
- Assim o farei. Ah! Diga onde estão os meus sapatos...
- Leva o casaco guri!
- Valeu!
Sexta-feira (garoando)
- Cuidado com o chocheiro do Lord. Ele é arredio como o eqüino.
- Sei diferenciar a insensatez da força bruta.
- Ó o carro guri estúpido!
- Tô vendo ô!
Sábado (chovendo e ventando fraco)- Viste os anúncios sobre a guerra? Viste? Responde logo menino, por favor!
- Absolutamente, estão em cima da escrivaninha. Conto depois.
- Cadê o jornal? Eu deixei aqui!
- Levei lá pra sala. Vê lá!
Domingo (chovendo ininterruptamente)- Sirva o menino criada. O peixe.
- Sim senhora.
- Estou grato.
- Dá ai o frango...
- Ó mãe! Ele pegou tudo!
- Peguei mesmo, tô com mais fome que você.
13 novembro, 2006
Pitangas e a pitanga
O cheiro da pitanga branca entorpece
A pitanga branca encanta
O que fazeis, querido, essa hora?
A hora do entardecer?
Foram tuas mãos que ensaboaram a lascívia
Foram teus olhos que me cansaram
Foram teus desejosos toques que me provaram
Corpos
Corpos exalando frescores
Um aroma bandeirante
Um aroma café com leite
Um aroma pantaneiro
Quantos corpos?
Quantos toques? Apaixonados?
Encantados?
Quantas maneiras de exaltar outrem?
Três corpos
Ensaboados
Frescos, frescos como pitangas
Pitangas brancas
Brancas
Pitangas e pitanga
Eram vós pitangas
Somente vós
Não a pitanga
Somente a pitanga
Quantos corpos?
Quantos toques encantados?
Quantas maneiras de exaltar outrem?
Três corpos brancos
Três amantes brancos
Frescos
Frescos como pitangas
Amarelou a cor da pitanga
Amargou o gosto das pitangas
Cor de pitanga, gosto de pitanga
E as pitangas?
Não sei mais
Foi a pitanga
Por pouco não foi sofreguidão
Macieza das pitangas
O amargor da pitanga
Sob ávidos toques
São encantos duradouros
Distante exclamou pitanga:
“Saudades de ti
Espero ouvir-te logo
Desejosos beijos de pitanga!
Teu novo amor.”
Eram vós pitangas
Somente vós
Não a pitanga
Somente a pitanga
A pitanga branca encanta
O que fazeis, querido, essa hora?
A hora do entardecer?
Foram tuas mãos que ensaboaram a lascívia
Foram teus olhos que me cansaram
Foram teus desejosos toques que me provaram
Corpos
Corpos exalando frescores
Um aroma bandeirante
Um aroma café com leite
Um aroma pantaneiro
Quantos corpos?
Quantos toques? Apaixonados?
Encantados?
Quantas maneiras de exaltar outrem?
Três corpos
Ensaboados
Frescos, frescos como pitangas
Pitangas brancas
Brancas
Pitangas e pitanga
Eram vós pitangas
Somente vós
Não a pitanga
Somente a pitanga
Quantos corpos?
Quantos toques encantados?
Quantas maneiras de exaltar outrem?
Três corpos brancos
Três amantes brancos
Frescos
Frescos como pitangas
Amarelou a cor da pitanga
Amargou o gosto das pitangas
Cor de pitanga, gosto de pitanga
E as pitangas?
Não sei mais
Foi a pitanga
Por pouco não foi sofreguidão
Macieza das pitangas
O amargor da pitanga
Sob ávidos toques
São encantos duradouros
Distante exclamou pitanga:
“Saudades de ti
Espero ouvir-te logo
Desejosos beijos de pitanga!
Teu novo amor.”
Eram vós pitangas
Somente vós
Não a pitanga
Somente a pitanga
14 outubro, 2006
Brasão - Mário Faustino
Brasão
Mário Faustino
Nasce do solo sono uma armadilha
Das feras do irreal para as do ser
- Unicórnios investem contra o Rei.
Nasce do solo sono um facho fulvo
Transfigurando a rosa e as armas lúcidas
Do campo de harmonia que plantei.
Nasce do solo sono um sobressalto.
Nasce o guerreiro. A torre. Os amarelos
Corcéis da fuga de ouro que implorei.
E nasce nu do sono um desafio.
Nasce um verso rampante, um brado, um solo
De lira santa e brava - minha lei
Até que nasça a luz e tombe o sonho,
O monstro de aventura que eu amei.
18 setembro, 2006
Gata Morena
Foste embora, gata.
Gata branda, malhada.
Foste embora, gata.
Gata morena, malhada.
A corujinha ainda vive ali, na beira.
A arara pousa ali, nas altas.
Foste embora, gata.
Gata parda, malhada.
Tua dança incorporou nas raízes desta cidade.
Morena como tu.
Foste embora para a Garoa.
Alguns víveres da Morena sentem tua falta, alta.
Gata branda, malhada.
Foste embora, gata.
Gata morena, malhada.
A corujinha ainda vive ali, na beira.
A arara pousa ali, nas altas.
Foste embora, gata.
Gata parda, malhada.
Tua dança incorporou nas raízes desta cidade.
Morena como tu.
Foste embora para a Garoa.
Alguns víveres da Morena sentem tua falta, alta.
17 julho, 2006
Verde domingo
Cores claras abraçavam teu leito. Linda cor verde... a mesma cor que me aprazia.
Domingo... nunca desejei bem o domingo...
Deitado... coberto... certo como bloqueio. Defeso pela situação e, ao mesmo tempo, indefeso por minhas palavras.
Quisera não te fazer sofrer. Quisera...
Nem ao menos me preparei e tu, sincero, não me aprisionaste. Por quê? Questões? Estávamos cientes da verdade. Eu mudo. Sabias da razão de minha visita e nem sinalizou...
Não pude evitar os olhares ontem à noite. Não pude contemplar-te com outra intenção. Não pude procurar-te com o mesmo vigor de outrora.
Procurei, procurei...
Estava atrás da afirmação. Veio ao deitar.
Pude contornar ao nosso favor, mas não completamente ao meu.
Emocionei-me. Certamente pelas sensações que, graças a ti, certificaram-me da existência de um coração dentro de mim.
Verde. É a cor da alegria. Adornava teu corpo. Um rosto puro. Bela forma desenhada pela providência divina. Seria ela a responsável por nossa união?
Verde. É a cor da tristeza. Enxugava tuas lágrimas. Sinceras! Encantadas. Emotivas. Egoístas, pois pensavas apenas na solidão que o aguardava.
Verde é a cor da minha condenação. Resultado de bem-me-quer.
Amanhã não serei o mesmo. Tua ausência marcará friamente meu peito.
Saibas que me esforcei. Imagens lindas carregarei.
Hoje dou-te gratidão e amizade. O que me dará?
Foste o primeiro presente mais belo, puro e límpido que já recebi.
Foste a primeira constatação de que sou humano.
Saibam... foi a Pureza que fez a Liberdade chorar.
“É um tchau, não um adeus.”
Resta-me uma pergunta: Por que me negaste um abraço?
Domingo... nunca desejei bem o domingo...
Deitado... coberto... certo como bloqueio. Defeso pela situação e, ao mesmo tempo, indefeso por minhas palavras.
Quisera não te fazer sofrer. Quisera...
Nem ao menos me preparei e tu, sincero, não me aprisionaste. Por quê? Questões? Estávamos cientes da verdade. Eu mudo. Sabias da razão de minha visita e nem sinalizou...
Não pude evitar os olhares ontem à noite. Não pude contemplar-te com outra intenção. Não pude procurar-te com o mesmo vigor de outrora.
Procurei, procurei...
Estava atrás da afirmação. Veio ao deitar.
Pude contornar ao nosso favor, mas não completamente ao meu.
Emocionei-me. Certamente pelas sensações que, graças a ti, certificaram-me da existência de um coração dentro de mim.
Verde. É a cor da alegria. Adornava teu corpo. Um rosto puro. Bela forma desenhada pela providência divina. Seria ela a responsável por nossa união?
Verde. É a cor da tristeza. Enxugava tuas lágrimas. Sinceras! Encantadas. Emotivas. Egoístas, pois pensavas apenas na solidão que o aguardava.
Verde é a cor da minha condenação. Resultado de bem-me-quer.
Amanhã não serei o mesmo. Tua ausência marcará friamente meu peito.
Saibas que me esforcei. Imagens lindas carregarei.
Hoje dou-te gratidão e amizade. O que me dará?
Foste o primeiro presente mais belo, puro e límpido que já recebi.
Foste a primeira constatação de que sou humano.
Saibam... foi a Pureza que fez a Liberdade chorar.
“É um tchau, não um adeus.”
Resta-me uma pergunta: Por que me negaste um abraço?
23 março, 2006
Você e eu. O que está acontecendo conosco?
É muita pretensão, mas mesmo assim vou continuar.
As vezes nós nos engamos. Eu me enganei com você e você com os outros. Foi culpa sua se distanciar de mim... foi culpa minha não ter ido atrás de você.
Mas tudo isso passou e o que importa agora é o seu coração.
Estive muito próximo de você, não sei se sabe disso... o que sinto não interessa mais. Apenas a preocupação de que esteja bem, muito bem.
Tenho dúvidas, mas acredito que tudo poderá ficar bem se você ficar bem consigo mesmo.
Agora pense em você. Na sua saúde. Na sua vida, esteja sozinho ou não.
Sozinho? Será que ficará algum dia? Diga sim a mim e nunca isso acontecerá.
Adeus?
13 março, 2006
Canção folclórica portuguesa
Alecrim
Alecrim, alecrim aos molhos
Por causa de ti choram os meus olhos
Alecrim, alecrim aos molhos
Por causa de ti choram os meus olhos.
Ó meu amor
Quem te disse a ti
Que a flor do campo era o alecrim?
Alecrim, alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
Ó meu amor
Quem te disse a ti
Que a flor do campo era o alecrim?
20 fevereiro, 2006
Alma
- O que a aflinge?
- Teus olhos, invejoso!
- Repita isso e serás excomungada... Rapariga dos diabos. Ah! Credo em cruz, Virgem Santa. Que Meu Senhor tenha piedade de vós.
...
- Repita comigo: "Meu Senhor, não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só Palavra e sereis salvo."
- Não. Não sou digna deste benção.
- Seja obediente! Rapariga fraca, impudica e torpe. Vamos! Não tenho todo o tempo para vós.
...
- Sentes algo?
- Ainda não. O que espera?
- Tens a petulância de me questionar? Rapariga dos diabos!
- Sinto que estou entorpecida... algo me deixa entorpecida.
- É sicuta. Logo morrerás... somente desta maneira me deixará quieto.
- Senhor Frade... cof, cof... como pôde?
- Que Meu Senhor a tenha em Seus braços...
- Teus olhos, invejoso!
- Repita isso e serás excomungada... Rapariga dos diabos. Ah! Credo em cruz, Virgem Santa. Que Meu Senhor tenha piedade de vós.
...
- Repita comigo: "Meu Senhor, não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só Palavra e sereis salvo."
- Não. Não sou digna deste benção.
- Seja obediente! Rapariga fraca, impudica e torpe. Vamos! Não tenho todo o tempo para vós.
...
- Sentes algo?
- Ainda não. O que espera?
- Tens a petulância de me questionar? Rapariga dos diabos!
- Sinto que estou entorpecida... algo me deixa entorpecida.
- É sicuta. Logo morrerás... somente desta maneira me deixará quieto.
- Senhor Frade... cof, cof... como pôde?
- Que Meu Senhor a tenha em Seus braços...
21 janeiro, 2006
O bom lembrar das frestas azuis - Rebeca Rasel
O bom lembrar das frestas azuis
Rebeca Rasel
Um fluir atravessado;
Clareira azul
Que transborda os limites
Da sala opaca.
Irradiada; luz
Que protagoniza passos
Teus, distantes,
Em fuga quase.
Finito alento;
Encontros em ares
Feitos de pausa:
Vapor de despedida.
De largura imprecisa,
Suplementes de cor e
Sombra: farsa
De teu corpo; adeus.
Tardes assim não foram feitas para existir.
Dentro de mim existe um quase-mundo tolo
Desses em que o te pertencer apenas persiste:
Como uma placa qualquer de direção
Indicando uma rua ou uma esquina já conhecida.
Meus braços fracos, em um gesto curvo e bravo,
Tentam levar para longe o crepúsculo trêmulo de teus olhos
Ali, no espelho, a perceber o tanto de você que ainda há em mim.
Percebo que a ausência só existe como palavra
Porque o vazio teu é concreto e perceptível.
Volto então a me abrigar na sombra de tua pálpebra;
Tardes assim não foram feitas mesmo para te esquecer.
Rebeca Rasel
Um fluir atravessado;
Clareira azul
Que transborda os limites
Da sala opaca.
Irradiada; luz
Que protagoniza passos
Teus, distantes,
Em fuga quase.
Finito alento;
Encontros em ares
Feitos de pausa:
Vapor de despedida.
De largura imprecisa,
Suplementes de cor e
Sombra: farsa
De teu corpo; adeus.
Tardes assim não foram feitas para existir.
Dentro de mim existe um quase-mundo tolo
Desses em que o te pertencer apenas persiste:
Como uma placa qualquer de direção
Indicando uma rua ou uma esquina já conhecida.
Meus braços fracos, em um gesto curvo e bravo,
Tentam levar para longe o crepúsculo trêmulo de teus olhos
Ali, no espelho, a perceber o tanto de você que ainda há em mim.
Percebo que a ausência só existe como palavra
Porque o vazio teu é concreto e perceptível.
Volto então a me abrigar na sombra de tua pálpebra;
Tardes assim não foram feitas mesmo para te esquecer.
06 janeiro, 2006
Teu e meu
[Primeiro canto]
Nossos olhares se cruzaram
À noite
Escuro-clara
Sem devaneios
Chavão?
Vitória da Liberdade
Fraqueza da Solidão
Inveja da Preguiça
Daria-nos Satisfação?
Uma música
Um soneto
Um refrão
Dances
Dances
Dances comigo, dances!
Dances Paixão
Envolva-nos
Partes de corpos, alheios corpos
É o teu? É o meu?
Fomo-nos corpos, fomo-nos ritmo e toque
Toques
Toques
Meus lábios entre teus cabelos
Teus lábios entre meus desejos
Quisera sentir mais de teu toque
Ouvir mais de tua oração
Apenas uma?
Não pude
Estava inebriado
Junto ao teu peito
Teu e meu
Simplesmente
15 dezembro, 2005
Retorno
"Eu luto pela vida: um trabalho real, que vale a pena. Não tenho nenhum desejo de morrer, mas já vivi tão perto do morte e de suas conseqüências que a vejo agora como algo natural. Todos nós devemos morrer um dia, mas a morte sempre virá cedo demais para o homem ou a mulher que tem uma intensa sede de viver. Cada minuto que passa tem um significado, uma profundidade maior do que qualquer outra coisa, mesmo que pareça comum e rotineiro. Cada rajada de vento, cada canto da cigarra, cada revoada de pombos é como um poema.
Sei que os que trabalham pela justiça sempre terão o direito a seu lado e receberão a ajuda de Deus; estes irão prevalecer, e a verdade resplandecerá.
É melhor ser rico de espírito do que em bens materiais."¹
Marrianella García Villas*
* Marrianella G. Villas foi assassinada em 1983 por militares na república centro-americana de El Salvador. Jovem advogada, formou um comitê de direitos humanos para investigar casos de desaparecimento e tortura.
¹ Gaarder, Jostein [et all]. O Livro das Religiões. Trad. Isa Mara Lando. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
24 outubro, 2005
Realidade e Magia
O que se entende sobre a infância?
Mais uma vez eu tentei me enganar, mas não consegui. Não conseguiu entorpecer-me em seus braços, pois sua imaturidade não consentiu.
Engraçado como os sentimentos de pertença morrem com tanta facilidade! A falta de compromisso, de seriedade para com a amizade e tudo mais.
Pudera, eu sabia dos efeitos de meu entendimento desenfreado. Eu sabia dos riscos ao tentar harmonizar e ajudar a construir o seu mundo. Tudo bem! Foi um risco que preferi viver a ser covarde...
Sabe, sou capaz de acertar se imaginar que mesmo lendo inúmeras vezes estas linhas não entenderá no final a minha intenção. É sabida a razão: não sou mais criança e não vivo em um "mundo" mágico. Saiba que mesmo construindo um mundo mágico logo ele será destruído pela violência banalizada, pelo egoísmo humano (o mesmo que assola o seu caráter) e pelo amor (bobo e romântico). Destruição inevitável e certa, como a morte.
A infância pendura até o acúmulo de responsabilidade e compromisso social. Você é capaz de acumulá-los?
Com o seu fim, as pessoas ficam menos animadas para o acaso.
Por exemplo: As crianças que fazem parte de seu mundo fantástico serão adultas um dia, e assim como as outras que virão. E você? Quando enfrentará as dificuldades?
Ainda há tempo para pensar. As crianças nunca deixarão de procurar respostas sobre a vida que você não quis, em minha companhia, refletir. Mas eu paro por aqui este assunto, paro sim! Senão eu posso cometer injustiças.
Resolvi dificuldades em sua companhia: não cobiço o amor eterno-fútil (de aparências e insuflado pelo egoísmo). Ao contrário, agora estou certo das felicidades que poderei ter ao lado de outra pessoa. Não só de Paz vive o ser humano, mas de todas as Felicidades que pretende viver.
Em seu mundo (mágico) deverá existir poucas dificuldades, ao contrário do meu (real) . Será que nos veremos novamente? E onde nos encontraremos, no meu ou no seu mundo?
O que é tristeza se permito-me ser livre?
O que é solidão se possuo livros?
O que é mágico se não posso criar o hipotético?
Faço justiça: senti-me em paz com você. Obtive o que pretendi ao seu lado. Mas agora confesso que preciso de mais, além do que pôde me deixar. Preciso de paixão, de emoção e de conhecimento.
A estrela que brilhava em minha constelação se dispersou. O que importa uma estrela em um universo de astros e do infinito?
Entender a infância é ser justo. Saibamos ser justos com nós mesmo.
Adeus.
15 outubro, 2005
Adeus Estrela
Chegamos a um momento muito importante: o seu momento!
Egoísta, desejei você só para mim. Agora entendo que é do universo.
Não me arrependo de ter tentado mais uma vez ficar em Paz.
Não me arrependo de ter provado mais uma vez a Felicidade.
Não me arrependo de ouvir sua voz e de receber suas carícias.
Ajudou-me a não desesperar. Ajudou-me a estancar o sangue de antigas feridas.
Meu corpo agradece.
Minha alma agradece.
Meu ser agradece.
Em um universo de astros, a minha Estrela se dispersou.
Adeus Estrela!
Egoísta, desejei você só para mim. Agora entendo que é do universo.
Não me arrependo de ter tentado mais uma vez ficar em Paz.
Não me arrependo de ter provado mais uma vez a Felicidade.
Não me arrependo de ouvir sua voz e de receber suas carícias.
Ajudou-me a não desesperar. Ajudou-me a estancar o sangue de antigas feridas.
Meu corpo agradece.
Minha alma agradece.
Meu ser agradece.
Em um universo de astros, a minha Estrela se dispersou.
Adeus Estrela!
02 outubro, 2005
Agora
Não me aborreço mais aos domingos.
Tenho razões? Talvez...
Talvez porque o céu não é mais cinza
e porque eu não preciso mais pensar em futilidades.
Talvez porque mesmo sem nome
o destino-pessoa me aguarda saudoso.
Talvez porque mesmo endemoninhado
eu tenha que aceitar os deuses e deusas.
Talvez porque após corroer meu tempo
e, esquecer a Felicidade,
eu tenha encontrado a Paz.
Tenho razões? Talvez...
Talvez porque o céu não é mais cinza
e porque eu não preciso mais pensar em futilidades.
Talvez porque mesmo sem nome
o destino-pessoa me aguarda saudoso.
Talvez porque mesmo endemoninhado
eu tenha que aceitar os deuses e deusas.
Talvez porque após corroer meu tempo
e, esquecer a Felicidade,
eu tenha encontrado a Paz.
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