Sou humano, sou real e sou vivo. A matéria não me domina, apenas me suporta. Minha essência forma-se a todo momento, assim como um despertar confuso e inseguro. Meu inconsciente realiza-se a favor de outrem. Minha animalidade revela-se quando estou só. A solidão confidencia-me poucas mentiras. Sabes quem eu sou? "Eu sou o que sou!" (O Criador)
09 julho, 2013
27 maio, 2013
A sensação do envenenamento
Justiça
não é bem escolha. É a seiva de toda humanidade, por certo. Ela é atemporal. Dois
detalhes existiram: o primeiro e menos ingênuo é que eu sempre soube de seu
interesse – eu ainda, como antes, continuo chamando a atenção de pessoas inexperientes
no amor; o segundo foi a descoberta da sua destacável qualidade: insensatez! Da
sua insensatez! O que me leva a não denominar sua presença nesse escrito na
segunda e íntima pessoa. A pior sensação é saber que eu nunca lhe amei como
julgou me tratar em suas tentativas de me manter aprisionado naquela suposta relação:
“te amo”, como dizia desavergonhadamente, já não é uma conjugação valorizada
hoje em dia, principalmente para quem já escutou essa expressão verbal centenas
de vezes, justamente por pessoas parecidas com você: fracas. Fraqueza que é
menos contagiosa com o passar dos momentos afetivos, descobertas de que em
nossa vida social o mais importante é se tornar vil! Tão vil que adestramos as
palavras para nos mantermos menos afetados pela poção: veneno produzido pela
menor capacidade que já encontrei nestes últimos anos. Em qual estado da natureza
julgou possuir autoridade para ousar me inebriar com palavras tão esparsas,
profundamente ocas e insensivelmente aprisionantes? Torpe! Ínfimo cadáver sem
ética! Monstruosidade fugidia e que em momentos descontraídos esquecia-se do
disfarce. Nunca poderá me assombrar, nem mesmo agora em que após o término de
uma relação enfraquecida foi, propriamente, mais honesta a aquele que o
permitiu recolher, por simples instantes, sinceridade. Bondade, ora! Serei
misericordioso, contudo. Afinal estamos em patamares diferentes. O tempo o
sentenciará! Com meu auxílio determinarei: a jamais adentrar novamente na
carruagem em que por dias o vento pretendeu abençoar sua face. Não só pretendeu
furtar-me, mas sim ao tempo e a ele não se ofertam devaneios gratuitos. Ele é
rancoroso. Você se tornou tão vulnerável que os ramos dourados dos antigos mitos
jamais encobrirão seu corpo. Quer mais indesejável veredicto? Para toda a sua
história de vida estará envenenado! Contudo, há uma alternativa, agora. Não sou
eu quem a ofereço certamente. Somos seres no mesmo embalo de vida humana. Criou
para você um labirinto! Se reparar as virtudes, poderá reconhecer antes do término
de sua respiração a contemplação e a magnitude de uma vida sadia, apesar dos
enganos comuns cometidos. Todavia, se por fim, em leito de morte, houver
esquecido as virtudes, findará envenenado pela própria soberba e a ela Prudêncio,
poeta romano, recomendou a modéstia, vigiando-a durante toda a jornada. Somos
nossos próprios algozes. Cabe a você o despertar, ausente meu auxílio.
04 setembro, 2012
Por fim
Já sabemos que tudo
que tenha vida um dia se desfaz. Desfaz-se a forma e a essência. Fica, contudo,
a lembrança: de ser presença sincera, de ter conquistado felicidades, de
superar em conjunto as limitações e violências. Já se sabe, também, do fim
inesperado. Das incapacidades de fazer reviver alguém em nosso cotidiano. Mas o
pior é enterrar alguém tão próximo ainda vivo, mesmo sem essência. Sufocar com
terra ou até mesmo queimar momentos, imagens, auxílio e cumplicidade. O fim não
pode ser em si mesmo, mas no outro. Arde demasiadamente no peito de quem ouviu
os rumores maternos e se compadeceu. Se a mão atinge não foi em vão: porque lá
havia o último fragmento de amor. “A mão foi minha, o gesto foi teu.” Medéia
25 junho, 2012
Mais uma noite
Ontem o coração me deu mais uma batida
Talvez com menos proezas
Certo de que vou me iludir mais uma vez.
Todo dia me parece insólito
E já estou acordado para ele
Envolvo-me em vazio.
Eis um suspiro
Dado entre as pequeníssimas graças
Mais humanas, mesmo não podendo me servir.
O passado é demasiadamente sufocante
Porque houve tentações
E as mesmas não se aniquilam.
Os humores são diversificados
A brisa para alimenta-los não passa pelas janelas do meu
quarto
Pois bloqueadas estão para acomodarem a escuridão.
Ninguém dá atenção aos pormenores cotidianos
Citadino nenhum percebe o mal em si dentro de um quarto
Ali deve haver sossego e há farsa.
E escurece novamente
As ideias revolucionam o descanso
O anseio me desfaz.
29 maio, 2012
Gula
E se o beijo é dado sem propósito não pareceria com aquele que foi permitido ontem.
Eram 23 horas e o hálito combinava. Vontade era de proporcionar mais vontade, bem ali, muito próximos.
As palavras inquietas não podem ser presas por tempo qualquer. Basta falar que será ouvido. Pois se ouve com o coração e a mente limpos.
Bagunça está quando há beijos intercalados com sorrisos: misturasse uma inquietação em possuir mais exemplares com desejo de permanecer daquele modo confortável.
O beijo fogoso acontece quando a gula é um devaneio concordado entre ambos.
Faz-se companheirismo em vidas, outrora tão distantes. Espera-se, brevemente, mais.
Eram 23 horas e o hálito combinava. Vontade era de proporcionar mais vontade, bem ali, muito próximos.
As palavras inquietas não podem ser presas por tempo qualquer. Basta falar que será ouvido. Pois se ouve com o coração e a mente limpos.
Bagunça está quando há beijos intercalados com sorrisos: misturasse uma inquietação em possuir mais exemplares com desejo de permanecer daquele modo confortável.
O beijo fogoso acontece quando a gula é um devaneio concordado entre ambos.
Faz-se companheirismo em vidas, outrora tão distantes. Espera-se, brevemente, mais.
07 maio, 2012
Ilusão
Foi um dia de encanto, julgo
assim. Não me pertencia a tarde, sobretudo a lua cheia que nos banhou. Senti forte
sensação de esperança e nos tivemos. Lá estávamos cúmplices e distraídos. Cooperamos
nas palavras, gentis palavras. Sorríamos conforme o movimento do corpo nos
desinibia e os instrumentos conduziam. Havia inúmeras pessoas, mas não as notei.
Foram as frutas, as de dentro em
forma de suco e as usadas como luvas sobre o corpo, acalmando-o por meu excesso
anterior.
Fomos bobos, olhares cruzados
para uma sentença de final qualquer.
Senti a felicidade por estar ali.
Vivi! Totalmente pertencente a mim. Sabendo que por um determinado tempo seria
de minha vista. A aflição era ouvir: “Preciso ir embora”. É perene esta
sensação quando juntos.
Conversamos como responsáveis
pelos nossos destinos apesar da timidez. O sorriso ofertado era suficiente,
demonstrando sinceridade. Alento. E o medo sendo acalmado em mim por tentar
sufoca-lo, contudo.
Ouvia poucos ruídos ao meu redor.
Existiu um círculo a nossa volta cuja pretensão só se direcionou para a
unicidade, para quem me conduzia. Mesmo assim meu coração não palpitou aceleradamente.
Por que não? Deve ser porque criamos história.
Brincamos de acordo com o ritmo
do ambiente, sobre os trilhos de uma infância que para mim e para você não retornarão.
Nunca fomos crianças juntos para poder permitir um presente encantador. Unicamente
de minha parte, talvez. Deve ser pela maciez de sua voz, pelo descompasso charmoso
dos seus gestos, pela incompreensão de não viver vontades comigo que vivo esta
ilusão. Acabamos como o usual. Uma cama saudosa, um corpo solitário e uma
grandeza que se intimida por pensamentos existencialistas. Já está ausente.
Comprometer-me-ei com esta
confissão sabendo, por fim, que certo dia nós não mais dispostos estaremos para
um dócil passeio, apesar de cooperar com seu pedido de espera. O agora foi tornado
memória e existirão noites que a solidão será desavergonhadamente íntima.
24 abril, 2012
Entrega
teve um dia
certo momento noturno
que fiz meu declarar
contudo, não esperava a inércia
queria ação
vontade
libido
entrega
e não vieram
queria que a entrega e a condução
fossem para mim
como um guia experiente
era só se entregar
seria com jeitinho doce
sem pressa de ser amado
sem inibição de ambos
mas com impulsos afetivos
pelos detalhes mais excitáveis do corpo
pelo beijo com vontade de saudade na despedida
sem receios
sem neuroses
ausente ciúme
entregar-se
ah a entrega!
por fim, não veio
certo momento noturno
que fiz meu declarar
contudo, não esperava a inércia
queria ação
vontade
libido
entrega
e não vieram
queria que a entrega e a condução
fossem para mim
como um guia experiente
era só se entregar
seria com jeitinho doce
sem pressa de ser amado
sem inibição de ambos
mas com impulsos afetivos
pelos detalhes mais excitáveis do corpo
pelo beijo com vontade de saudade na despedida
sem receios
sem neuroses
ausente ciúme
entregar-se
ah a entrega!
por fim, não veio
16 abril, 2012
Partida
Vou me desfazer de mim pelo todo que pensei ser.
Esquecerei, contudo, a indisposição
A ausência é natural
como tentar lembrar de uma memória valorosa.
Como estender os braços às paixões flutuantes.
Não volterei a ser como estou.
É sabido.
Sentirei novos impulsos.
Conquistarei partes intocadas.
Iniciarei apenas se me confortar com sua permissão.
"Está tudo bem!"
Terei outra face, outro espírito.
Mesmo sendo tentativa
irei.
Quero um preto e branco
para que em chumbo e cobre
realize a mim.
E comigo só.
Kain Hallis - Iluminação Solitária
15 abril, 2012
Escolhas
Não esteve lá
havia escolha
escorreu em meu rosto
vermelho rubro de minha descrença
senti como uma desconexão
o mesmo desabor de ontem.
Num momento sinto sua pele
um olhar me provocando
noutro um vazio inenarrável.
Só precisava parar de pensar
no quanto um abraço seu me recomporia
traria fartura
traria cores e, por fim,
vida.
Fizeram poucos anúncios
deve ser por este motivo
que ainda não me desfiz todo.
Pareciam lágrimas
as mesmas que caem quando está ali
longe
pareciam.
Instante despido
ausente a razão.
Por que se aproxima?
Por que?
havia escolha
escorreu em meu rosto
vermelho rubro de minha descrença
senti como uma desconexão
o mesmo desabor de ontem.
Num momento sinto sua pele
um olhar me provocando
noutro um vazio inenarrável.
Só precisava parar de pensar
no quanto um abraço seu me recomporia
traria fartura
traria cores e, por fim,
vida.
Fizeram poucos anúncios
deve ser por este motivo
que ainda não me desfiz todo.
Pareciam lágrimas
as mesmas que caem quando está ali
longe
pareciam.
Instante despido
ausente a razão.
Por que se aproxima?
Por que?
09 abril, 2012
Olhe
Repare o desejo
Aquele que provoca o mais profundo do seu peito
É este mesmo o executor de um sentido
Talvez o frio e o por que não o menos humano
Deveria ter calado quando permitido
Poderia eu ter me esquecido de sua face
Permitiria os Céus esquecer sem muita dor?
Quero mesmo é descansar em um abraço pedido
O mesmo, embora, fácil, concedido.
Daquele sem jeito recolhido
Sem palavras e destemido
Eu havia fracassado.
Fracasso lidera minhas intenções
Não se ludibriam as emoções
Deveras inquietas e maltrapilhas
Sem vontade se fez o meu clamor
Agora só me restam as verdades
Para o meu puro e intocado coração admirar
Sem precedentes esqueci-me dos detalhes
Com costumes revirei-me no cobertor
Frio que antes não consumia
Na mais privada das certezas me terá
Espero ter ao menos um aconchego
O mesmo que sentirá aquele que se pronuncia ser o seu amor
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